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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

.você é daqueles poemas que ficam engavetados.




Você é daqueles poemas que ficam engavetados
tem um título em inglês, fala de uma praça em Paris,
tem versos trabalhados, sua pena é uma faca

Você é daqueles poemas que ficam engavetados
tem rimas milimétricas, um e dois e á e bê,
suas sílabas têm pós-doutorado em Matemática

Você é daqueles poemas que ficam engavetados
tem um corpo bonito,
um desejo inconsciente de ser verso-livre,
mas será sempre impublicável.

[ eu me chamo Antônio ]

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

.eu faria.


.
.
.
eu faria tudo de novo 
diferente, eu faria 
tudo 
novo
.
.
.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

.o abraço.

.
.
.
.
.
.
"Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo? Meu palpite: dentro de um abraço. Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve." [ Martha Medeiros ]
.
.
.




quinta-feira, 1 de novembro de 2012

.soneto do amor total.



Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te a fim de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

.olha maria.


Olha Maria
Eu bem te queria
Fazer uma presa
Da minha poesia
Mas hoje, Maria
Pra minha surpresa
Pra minha tristeza
Precisas partir

Parte Maria 
Que estás tão bonita 
Que estás tão aflita 
Pra me abandonar 
Sinto Maria 
Que estás de visita 
Teu corpo se agita 
Querendo dançar

Parte Maria 
Que estás toda nua 
Que a lua te chama 
Que estás tão mulher 
Arde Maria 
Na chama da lua 
Maria cigana 
Maria maré

Parte cantando 
Maria fugindo 
Contra a ventania 
Brincando, dormindo 
Num colo de serra 
Num campo vazio 
Num leito de rio 
Nos braços do mar

Vai alegria 
Que a vida, Maria 
Não passa de um dia 
Não vou te prender 
Corre Maria 
Que a vida não espera 
É uma primavera 
Não podes perder 

Anda, Maria 
Pois eu só teria 
A minha agonia 
Pra te oferecer

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

.sem rodeios.


O texto a seguir é uma contribuição dos Vezenquandistas: Julio Neto & Milena Lenz

(...)

"Um risco quer dizer Francisco, 
Não sou bom entendedor
Não sou de meias palavras,
Então não me venha com charadas
Seja franco, sincero... direto...” (Feio)

Pois é, mas as pessoas não estão preparadas para receber palavras inteiras vindo da franqueza. Vide nosso amigo Lucilio, sempre foi marginalizado pelo simples fato de falar o que pensa, sem meias palavras, eu e meu cumpadi Feio brigamos muito até conseguirmos acreditar que o que um dizia pro outro não era pessoal. Eu tenho pouquíssimas pessoas nas quais posso ser sincero e franco, e essas são as pessoas  importantes na minha vida. 

(...)

Imaginemos um marido, chega em casa e diz, “Meu amor você está gorda...”, pronto, hecatombe nuclear. E ainda temos a palavra inteira para elogiar, e essa também as pessoas não estão preparadas, quando alguém elogia, pelo trabalho ou pela aparência, o normal é pensarmos, “O que ela ta querendo?”, mas acho que é cultural do Brasil, li na revista Vida Simples do mês passado, que o brasileiro preza pela gentileza, para não gerar conflitos, e assim deixa de falar coisas mais contundentes, em contra partida usamos o elogio para conseguir coisas, então temos dificuldade de crer que alguém pode ter gostado da gente ou de algo que fizemos, nessa mesma matéria um brasileiro foi fazer um mestrado nos EUA e se espantou porque os alunos agradeciam as críticas dos professores. É difícil. Abaixo segue o texto da Milenz luz da minha vida. 

(...)

Ôh vida corrida, exaustiva e voraz. Que ora me arrasta, ora me empurra. Que me permite beber apenas um pouquinho da fonte do prazer, em doses homeopáticas. Que me faz escolher entre coisas e pessoas mesmo quando não estou pronto pra isso. E ainda por cima, é única, sem reestréia, sem segunda chance. Então qual caminho escolher, o fácil e superficial ou o trabalhoso e consistente? Relações sinceras com diálogos francos e muitas vezes difíceis ou as de ‘boa vizinhança” com conversas amenas e discursos políticos? A sinceridade pode doer se não estamos prontos para recebê-la, mas reavaliar as relações e valorizar pessoas sinceras e diretas pode ser bem mais prazeroso!!!

“Migalhas dormidas do teu pão
Raspas e restos
Me interessam
Pequenas porções de ilusão
Mentiras sinceras me interessam
Me interessam, me interessam” (Cazuza)

(...)

Pois é, cada um tem um nível de franqueza que pode agüentar, eu estou treinando o silêncio com as pessoas normais para 2012.

“Se ninguém olha
Quando você passa
Você logo acha:
A vida voltou ao normal...
Aquela vida sem sentido
Volta sem perigo
A mesma vida tudo
Tudo sempre igual...
Se alguém olha quando
Você passa, você logo diz:
"Palhaço!"
Você acha que não tá legal
Perde logo a noção do perigo
Todos os sentidos
Você passa mal...” (Lobão)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

.peixe fora d’água, borboleta no aquário.


Uruguaiana
Feliz tu nasceste
À beira de um rio
Sorrindo ao luar

Uruguaiana
Cidade alegria
Ouve a melodia
Deste meu cantar

É um canto modesto
Que é o manifesto
Do meu coração
Ele quer adorar-te
Pois tu fazes parte
Do nosso torrão

No jardim do meu País
És também uma flor
O teu povo é feliz
Vivendo neste esplendor

Cidade fronteira
És toda coberta
De um céu cor de anil
Tens a honra mais bela
De ser sentinela
Do nosso Brasil

(...)

Nascido em Porto Alegre, criado em Uruguaiana... 

(...)

Semana passada estive em Tramandaí para acompanhar meu sogro em um evento de hotelaria, durante a festa do Peixe... no hotel, no café da manhã, acabei encontrando o humorista Jair Kobe (Guri de Uruguaiana) que havia feito show na noite anterior. Bah! Ótima oportunidade para esclarecer algumas coisas:

Na saída do café fui até sua mesa e sem dar bom dia...
- Mas Chê, guri de Uruguaiana que é de Uruguaiana não canta o canto Alegretense! 
Ele, sentado, me olhou de baixo pra cima, com um sorriso no rosto afirmou.
- Tu és de Uruguaiana! É sempre assim... esses uruguaianenses... Eu sou porto-alegrense, cidadão honorário de Uruguaiana e Alegrete.

Logo me corrigi, dizendo que na verdade eu também era porto-alegrense, que aos cinco anos fui morar na fronteira e que acabara de retornar á capital... 
– viu só, quis bancar o engraçadinho comigo e nem é de Uruguaiana – finalizou o humorista.

(...)

Comemorei o meu segundo aniversário em Itapirubá/SC, o terceiro e o quarto em Ijuí/RS... do quinto ao trigésimo sexto, Uruguaiana... indelével Velho Oeste. Ou seja, apenas nasci na capital, o primeiro mate foi na fronteira.
 Se o meu amigo Lucílio Brutus soubesse a inveja que sinto dele ao se apresentar e dizer com muita propriedade:

- Muito prazer, Lucílio Brutus, de Uruguaiana!

O que me conforta é não precisar ter a mesma “inveja” do meu “cumpadi” Julio Neto... reza a lenda que ele nasceu a caminho do Alegrete, não sendo nem uruguaianense nem alegretense, quem sabe um verdadeiro e único, exclusivo urugretense.

(...)

...sempre que posso, em encontros casuais com pessoas acabadas de serem apresentadas a mim e quando indagado por elas de onde sou, respondo que sou de uma cidade que fica um pouco pra lá de Alegrete. Acabo despertando a curiosidade delas que, num primeiro momento continuam conversando outras coisas até que não se aquentam e perguntam novamente de onde sou... respondo um tanto relapso que sou de uma cidade que fica próximo a Itaqui... geralmente, nesse momento há uma pausa para visualização mental do mapa do Rio Grande do Sul seguido de  afirmativa e de uma outra pergunta – ah! Mas tu és de Uruguaiana!!! Por que não disse logo!?
Com um semblante vitorioso e contente respondo: - Não queria me exibir.

(...)


Porto Alegre 1975
Itapirubá
Uruguaiana
Porto Alegre 2012


segunda-feira, 4 de junho de 2012

.eu sei, mas não devia.



O texto abaixo é do livro "Eu sei, mas não devia", escrito por Marina Colasanti, publicado pela Editora Rocco, em 1996.


Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e depois veio para o Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei, mas não devia e também por Rota de Colisão.






Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus, porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche, porque não dá para almoçar. A sair do trabalho, porque já é noite. A cochilar no ônibus, porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.



segunda-feira, 16 de abril de 2012

.tempo sem tempo.


Preciso tempo necessito esse tempo
que outros deixam abandonado
porque lhes sobra ou já não sabem
o que fazer com ele

tempo
em branco
em vermelho
em verde
até castanho-escuro
não me importa a cor
cândido tempo
que eu possa abrir
e fechar
como uma porta


tempo para olhar uma árvore um farol
para andar pelo fio do descanso
para pensar que bom hoje não é inverno
para morrer um pouco
e nascer em seguida
e para me dar conta
e para me dar corda
preciso tempo o necessário para
chafurdar umas horas na vida
e para investigar por que estou triste
e acostumar-me ao meu esqueleto antigo


tempo para esconder-me no canto de algum galo
e para reaparecer em um relincho
e para estar em dia
e para estar na noite
tempo sem recato e sem relógio


vale dizer preciso
ou seja necessito
digamos me faz falta
tempo sem tempo

Mario Benedetti




sexta-feira, 23 de março de 2012

.hoje.



Hoje,
... hoje estou assim
Sem mar,
Sem terra,
Sem chão,
Sem sonho!
Me perdi em algum lugar
E não sei onde buscar-me!

Me transmuto, me desdobro,
Me transponho,
E mesmo assim não me encontro!

A abstração do ser
É o que me define,
Não fosse este corpo que me
Cobre a alma,
Mas que mesmo assim não lhe tira o frio,
O medo!

Hoje preciso buscar o caminho
De volta para mim,
E lá me completarei de mim e assim
Me encontrarei!


[ MARIANA VILLARES PIRES ]

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segunda-feira, 12 de março de 2012

.um poeta para chamar de seu.


Amor
O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é; / A glória concede e nega; não em verdades a fé.
Cancioneiro, Fernando Pessoa, p. 108.


Beira-mar
À beira-mar somos tristes quando sonhamos... Não podemos ser o que queremos ser, porque o que queremos ser queremo-lo sempre ter sido no passado.
Poemas dramáticos, p. 22.

Curva do horizonte
Ó Curva do horizonte, quem te passa, / Passa da vista, vão de ser e estar. / Seta, que o peito enorme me transpassa. / Não doas, que morrer é continuar.
Obra poética, "Poesias coligidas inéditas", p. 477.


Deserto
Tudo quanto penso, / Tudo quanto sou / É um deserto imenso / onde nem eu estou.
Obra poética. "Poesias coligidas inéditas", p. 580

Essencial
O essencial é saber ver, / Saber ver sem estar a pensar, / Saber ver quando se vê, / E nem pensar quando se vê, / Nem ver quando se pensa.
"O guardador de rebanhos", p. 63


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Oi geeennte! Hoje eu vou falar mais um pouquinho da série 'dos livros que comprei no final de semana'.

Esses trechos acima fazem parte do livro 
Dicionário Fernando Pessoa, um poeta predestinado, uma coleção de verbetes da imensa obra do poeta português Fernando Pessoa.

Dos poetas do século XX, nenhum é mais citado e celebrado que o português Fernando Pessoa, nascido em Lisboa, em 1888.

"Este homem foi um poeta que sabia muito destas coisas de deuses [...]. Sabia tanto que teve de inventar, dentro de si, outros personagens que o ajudassem a aguentar a carga e canga da sabedoria. E nem assim pôde viver em paz."

Para quem não conhece a obra de Fernando Pessoa, o dicionário é um ótima alternativa de aventurar-se em 307 páginas de uma viagem literária na obra poética desse autor. #ficaadica
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segunda-feira, 5 de março de 2012

.o profeta.

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.quando o amor vos chamar, segui-o,
apesar do seu caminho ser duro e íngreme.
.e quando suas asas vos envolverem, abraçai-o,
apesar da espada escondida entre suas penas poder ferir-vos.
.e quando ele falar convosco, acreditai nele,
apesar de sua voz poder esfacelar vossos sonhos como o vento norte arruína o jardim.

.pois mesmo quando o amor vos coroa, ele vos crucifica.

.o amor não dá nada além de si mesmo e não toma nada além de si mesmo.
.o amor não possui nem é possuído;
pois o amor é suficiente ao amor.
.e não pensai que podeis dirigir o curso do amor,
pois o amor, se achar que mereceis, dirige o vosso curso.
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Esse trecho faz parte do livro O Profeta de Khalil Gibran

Eu já tinha lido alguns trechos das obras desse autor, mas nunca tinha comprado algum livro dele. Nesse final de semana passado, comprei uns livros e entre eles estava 'O Profeta'.

Resolvi socializar com vocês, porque simplesmente adorei. Vale à pena!

E como vivemos num tempo de facilidade de acesso à informação, aqui vocês podem acessar o livro na íntegra! ;)

O Profeta é uma obra na qual eu penso há mil anos, é para mim um segundo nascimento e meu primeiro batismo, é o único pensamento que me torna digno de me pôr diante do sol.

sábado, 3 de março de 2012

.a aprendizagem amarga.







Chega um dia em que o dia se termina
Antes que a noite caia inteiramente.

Chega um dia em que a mão, já no caminho,
de repente se esquece do seu gesto.

Chega um dia em que a lenha já não chega 
para acender o fogo da lareira.

Chega um dia em que o amor, que era infinito,
de repente se acaba, de repente.

Força é saber amar doce e constante 
com encanto de rosa alta na haste, 
para que o amor ferido não se acabe
na eternidade amarga de um instante.

Thiago de Mello





segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

.o haver.

Hoje resolvi compartilhar com vocês esta poesia do Vinícius de Moraes [ linda ], que eu me emocionei lendo.

É de uma sensibilidade tão grande.



O Haver


Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo

[...]

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano, ou essa súbita alegria
Ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória...

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de sua inútil poesia e sua força inútil.

Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa tola capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem de comprometer-se sem necessidade.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.



15/04/1962


A poesia acima foi extraída do livro "Jardim Noturno - Poemas Inéditos", Companhia das Letras - São Paulo, 1993, pág. 17.

domingo, 6 de novembro de 2011

.Grande Poeta do Velho Oeste.

SONETO SEM DONO
Silvio Aymone Genro

Não sou dono dos meus versos
Quando um poema chega ao fim...
Meus versos são do universo!
Por que guardá-los pra mim?

No amor, depois do adeus,
Igual sensação se tem:
Não és minha, eu não sou teu...
- Nem os meus versos também!

Não sou dono dos meus versos,
Gosto de vê-los libertos
E por isso, nem reclamo...

No amor, também é assim:
-Não sou dono nem de mim,
Quanto mais de quem eu amo!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

.dia do poeta.

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Uma homenagem aos melhores poetas de todos os tempos:

Vinicius de Moraes


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Carlos Drummond de Andrade
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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Three tunes for your enjoyment: Or, a longing to return

So, on my way back to the States from Brazil, I was browsing the duty free shop and I came across the soundtrack to the documentary film Vinicius (http://www.imdb.com/title/tt0493175/) (yes, yes, the very one: de Moraes ;). Thinking of Carla’s passion for his poems and songs, and being a casual fan myself, I bought the CD to see what all the fuss is about—to learn more.

Well, the CD doesn’t disappoint. The renditions of the songs, even the well-known ones, are unique and moving.  

Listening to the music, I felt lust like when Mart’nália (http://www.martnalia.com.br/) sings “Sei lá…a vida tem sempre razão”:

Tem dias que eu fico
Pensando na vida
E sinceramente
Não vejo saída
...
Depois da chegada
Vem sempre a partida
Porque não há nada
Sem separação

The inevitable arrival, departure, and separation came up again in the heart-breaking and intriguing “Pau-de-arara (Comedor de gilete)” sung in this case by Sérgio Cassiano (http://www2.uol.com.br/sergiocassiano/ ). Despite the hunger in his Ceará, and even worse hunger in Copacabana, the singer longs to return where at least he has a name:

Vou-se embora pro meu Ceará
Porque lá tenho um nome
E aqui não sou nada, sou só Zé-com-fome

I thought of a related theme that shows up in Ryan Bingham’s (http://www.binghammusic.com/ ) “Hallelujah”

which relates the story of another poor and starving wanderer who is shot dead by a frustrated thief. Despite his relief that there:
 
Ain't no more begging on the side of the road
Ain't no more sleeping on the edge of a frown
Ain't no more favors from someone I don't know

He is not all relieved, and feels life pulling him back


So tell me now if your singing can bring me
Another day with my feet on the ground
I miss living and living misses me

somethings wrong cause you know I still feel alive

And this longing to still be alive somehow brings him back (?)

I'm not a one nighter
I ain't a flat liner
I've never came between the harmonies you're singing loud
Hallelujah

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

.poesia, um santo remédio.

Eu acredito no poder de uma oração, no poder do pensamento positivo, no poder das palavras!
Se você também acredita, antes de tentar curar o mal com doses químicas, cure com palavras!
Lhes apresento um projeto muito interessante que conheci esses dias: Poesia, um santo remédio!

O “Santo Remédio” é um projeto da Larissa Minghin, que escreve poesias sobre temas específicos e distribui em cápsulas. A idéia é fazer com que as palavras sejam um forma alternativa de tratamento, uma maneira de fazer bem a quem receber.



Cada caixa do Santo Remédio contém um frasco com 15 cápsulas de poesias, uma bula personalizada e um receituário (tipo cartão) para presentar amigos e pessoas queridas!


                           

Você pode escolher entre um dos temas oficiais (para amar, para se apaixonar, para sorrir, para matar saudade, para dor de cotovelo, para amigos, etc) ou encomendar um Santo Remédio especial com músicas da banda que você (ou o presenteado) mais gosta, ou alguma outra necessidade, e então Larissa manipulará as palavras com todo cuidado e carinho! =)


Gostou?

Acesse o blog do projeto ou entre em contato através do e-mail: santoremedio.poesia@gmail.com

terça-feira, 2 de agosto de 2011

.tudo vale a pena!

Em homenagem ao nosso visitante de Portugal:

"Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu!"

Tchau!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

.chave da felicidade.

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.'momentos, pessoas, frases,
 pensamentos, livros e movimentos
podem ir e vir.
mas você, o que você é na sua essência fica aí.
aí dentro.
e é essa a chave da sua felicidade:
o que você faz com o que fica.  
de tudo, de todos.
do que é mais, e nunca do que é menos'. 
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