Mesas

Mesa 1
Carla
Mesa 3
Marcus
Mesa 6
Rita
Mesa 7
Mari
Mesa 8
Cris
Palco 10
Victor Hugo

terça-feira, 25 de agosto de 2026

.lugares que já tinham história.

Tem uma coisa em mudar de bairro depois de certa idade: às vezes a gente chega achando que está descobrindo um lugar, mas logo percebe que alguns lugares já chegaram até nós antes.

Foi assim comigo.

O Bom Fim, a Cidade Baixa, o Centro Histórico... alguns desses nomes já existiam na minha vida antes deste endereço. Não exatamente como rotina, mas como lembranças de lugares onde estive, de noites que vivi, de histórias que aconteceram antes de eu imaginar que um dia estaria morando tão perto.

E talvez por isso eu tenha demorado um pouco para saber como caminhar por aqui.

Tem lugares que não são simplesmente lugares.

A escadaria da Borges, por exemplo, parece ter uma personalidade diferente a cada dia. Tem o samba das terças-feiras, mas também tem música latina em outros dias, rock em outro, e tantos outros sons ocupando aquele espaço. A escadaria muda de ritmo conforme a noite, como se a cidade encontrasse ali um jeito de se reunir sem precisar de muito.

A Casa de Cultura Mario Quintana tem seus filmes, seus corredores, suas janelas. A Travessa dos Venezianos tem seus bares e a música autoral que aparece por ali. E tem o Odeon, onde ouvi jazz uma vez, sentado ao lado de alguém que me apresentou aquele lugar.

Eu poderia simplesmente dizer que descobri tudo isso.

Mas não seria verdade.

Algumas dessas portas foram abertas para mim por outra pessoa.

E existe uma sensação nisso. Como se eu estivesse andando por uma cidade que já tem pequenas marcas de alguém antes de ter as minhas.

Não é exatamente nostalgia.

Também não é vontade de repetir.

É mais uma espécie de cuidado.

Porque não quero transformar em meu aquilo que pertence à história de outra pessoa. Não quero fingir que conheço uma cidade só porque alguém me mostrou alguns de seus cantos.

Talvez o que eu possa fazer seja mais simples: reconhecer que fui apresentado a eles e, daqui para frente, deixar que cada lugar encontre um significado diferente em mim.

O samba da terça-feira pode continuar sendo o samba de quem já o conhecia antes de mim.

A música latina de sexta pode ser apenas uma possibilidade que ainda vou experimentar.

O rock pode me levar para outro lugar.

O jazz do Odeon pode continuar tendo aquela primeira noite como memória.

A Casa de Cultura pode continuar guardando os filmes que já assisti.

A Travessa pode continuar cheia de músicas que ainda não conheço.

Nada disso precisa ser apagado para que eu possa estar aqui.

Porque talvez morar perto seja justamente isso: começar a construir uma relação própria com lugares que já existiam muito antes da gente.

A cidade não começa quando chegamos.

Ela já estava aqui.

Com suas histórias, seus personagens, seus hábitos, seus encontros e desencontros. A gente chega depois e, se tiver sorte, encontra algum espaço entre essas histórias para colocar algumas linhas nossas.

Tenho pensado nisso enquanto caminho pelo bairro.

Às vezes reconheço um lugar.

Às vezes lembro de quem me mostrou.

Às vezes simplesmente passo adiante.

E acho bonito que seja assim.

Não preciso reivindicar esses lugares.

Posso apenas frequentá-los quando fizer sentido, descobrir outros que ainda não conheço e, aos poucos, deixar que a cidade também me aconteça.

Talvez seja essa a diferença entre morar em um lugar e construir uma história nele.

Não é ocupar todos os espaços.

É encontrar alguns que, com o tempo, passem a ter alguma coisa nossa também.

Afinal, ninguém chega primeiro a uma cidade.

A gente apenas chega.

E começa, devagar, a deixar alguns passos por onde tantos outros já passaram.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

.os que sempre estiveram perto.

Uma coisa que só percebi depois de mudar para um lugar onde tudo é perto... a cidade é feita de quase-encontros.

Gente que dividiu a mesma calçada por anos sem se ver. Que esperou o mesmo sinal fechar, do mesmo lado da rua, em manhãs diferentes. Que frequentou a mesma padaria em horários que nunca se tocaram... um chegando quando o outro acabava de sair, o cheiro do café ainda no ar como um bilhete que ninguém leu.

A gente acha que conhece as pessoas por proximidade. Mas morar perto e se conhecer são coisas completamente diferentes, e às vezes leva uma vida inteira pra uma virar a outra.

Cada pessoa que anda por um bairro vai deixando um rastro invisível. A esquina onde sempre para. O banco da praça que virou o teu. O trajeto que os pés já fazem sozinhos, sem consultar a cabeça. E esses rastros se sobrepõem o tempo todo, sem que ninguém saiba.

Tu e a pessoa que um dia vai ser importante na tua vida talvez já tenham pisado no mesmo pedaço de chão dezenas de vezes. Talvez tenham se protegido da mesma chuva sob a mesma marquise, em tardes separadas por meses. Talvez tenham torcido o nariz pra mesma poça, admirado a mesma árvore florida, se irritado com o mesmo buraco na calçada.

 Estavam perto. Só não estavam juntos ainda.

O que mais me encanta é quando duas pessoas finalmente se conhecem e descobrem, no meio da conversa, que moram na mesma quadra há anos. Que o filho de um estudou com o filho do outro. Que frequentam o mesmo bar, só que em dias trocados. Que têm um amigo em comum que nunca pensou em apresentá-los.

Aí vem o espanto: "como a gente nunca se viu?"

E a resposta é quase sempre a mesma... a distância nunca foi de metros. Era de tempo, de horário, de acaso. Estavam separados por cinco minutos, não por cinco quilômetros. Por uma esquina que um virava à direita e o outro à esquerda. Por hábitos que corriam em paralelo, tão perto que quase se tocavam, mas nunca se cruzavam.

Quando enfim se encontram, é como se a cidade ou o destino tivesse guardado aquele encontro na manga esse tempo todo, esperando a hora certa de entregar.

Gosto de pensar que as ruas têm memória. Que as calçadas registram cada passo, cada história que passou por ali, e vão costurando, devagarinho, os fios que um dia vão se amarrar.

Os bares, as praças, as feiras de domingo da Redenção... não são só cenário. São lugares onde os caminhos invisíveis finalmente se cruzam, onde o "quase" vira "enfim". Onde alguém com quem tu já dividia a cidade sem saber, de repente, senta na mesa ao lado e puxa conversa.

Morar perto de tudo me fez perceber isso com mais nitidez. Toda vez que caminho pela vizinhança, penso em quantas histórias estão ali, dobradas nas esquinas, esperando. Quantas pessoas eu já cruzei sem saber. Quantos futuros amigos, ou pessoas queridas, estão neste exato momento a poucos passos, andando por uma calçada paralela à minha.

A gente vive achando que os encontros importantes vêm de longe. Mas muitos deles sempre estiveram aqui do lado... só faltava o tempo alinhar, a esquina coincidir, a cidade ou o destino decidir que agora era a hora.

Porque no fundo sempre estivemos mais perto do que imaginávamos. Só levou um tempinho pra descobrir.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

.perto de tudo (inclusive de mim).

Me mudei tem alguns dias para um apartamento perto do trabalho. E quando digo perto, é perto mesmo: menos de cinco minutos de caminhada leve, tranquila, sem correria. Mudei meu horário de entrada, otimizei o sono, reorganizei a rotina. Almoço em casa todos os dias e ainda consigo sestear até cinco minutos antes do segundo turno.

Pode parecer pouca coisa dito assim, em uma frase. Mas foi tudo se encaixando depois de muito tempo de desencaixe.

Durante anos, o deslocamento foi um “imposto” invisível que eu pagava sem perceber. Aquele tempo que some entre sair de casa e sentar na cadeira do trabalho... o trânsito, a espera, o corpo já cansado antes de o dia começar. A gente se acostuma... Acha que é assim mesmo, que faz parte. Até o dia em que não é mais, e tu olha pra trás e pensa: quanto tempo de vida eu deixei pelo caminho?

Agora o caminho é um percurso curto. Saio de casa e, antes de a música da caminhada terminar, já cheguei. Sobra manhã. Sobra tarde. Sobra aquele intervalo do meio-dia que virou algo sagrado... almoço na minha própria cozinha, uma sesta curta, e a sensação de ter dois começos no mesmo dia. É luxo? É. Um luxo desses que não cabem em foto, mas que mudam o contexto de tudo.

E tem o lado de fora, que é quase bom demais pra ser verdade.

Estou perto da Redenção... aquele pulmão verde onde a cidade respira nos fins de semana, com a feira, os corredores, os cachorros, a preguiça coletiva de domingo. Perto da Cidade Baixa e do Bom Fim, que a qualquer hora têm uma mesa de bar, um som, uma conversa acontecendo. Perto do Centro Histórico, com suas fachadas que contam histórias pra quem tem paciência de olhar pra cima.

Descobri que morar perto de tudo muda o jeito como a gente habita a cidade. Deixa de ser um lugar que se atravessa de carro, apressado, e vira um lugar que se percorre a pé, no ritmo de quem tem tempo. Tu começa a notar coisas... a padaria da esquina, o gato que dorme sempre na mesma janela, o vizinho que rega as plantas de manhã. A cidade fica menor e mais íntima ao mesmo tempo.

Nada disso seria tão bom se não fosse pela parte que menos aparece na lista.

Estou perto da casa da minha primogênita. Perto dos amigos queridos, aqueles de sempre, os que fazem a diferença entre morar em um lugar e pertencer a ele. Porque no fim o que transforma um endereço em casa não é a metragem, não é a planta, não é a vista. É a distância até as pessoas.

Um apartamento perto do trabalho me devolveu tempo. Um apartamento perto dos que amo me devolveu presença. E são coisas diferentes, embora a gente só perceba quando as duas voltam juntas.

Ainda estou desempacotando caixas. Tem quadro pra pendurar, gaveta pra organizar, aquele canto que ainda não sei o que vai ser. Mas já sei de uma coisa... essa mudança não foi sobre trocar de endereço. Foi sobre reencontrar um ritmo. Sobre acordar sem pressa, almoçar em casa, sestear sem culpa e saber que, a poucos passos, tem gente e cidade e vida esperando.

Perto de tudo. E, pela primeira vez em muito tempo, perto de mim também.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

.das coisas simples.

Tenho aprendido a não guardar tudo o que passa por mim... algumas coisas ficam, outras cumprem seu papel e seguem sendo parte da história. Hoje eu prefiro o que é simples... um dia comum que deu certo, uma boa conversa, um plano que ainda pode mudar sem perder o sentido. 

Não preciso de grandes acontecimentos pra saber que a vida acontece. Às vezes ela está inteira numa mesa com duas xícaras, numa ideia rabiscada, numa risada fora dehora. 

E talvez seja isso... não esperar que tudo combine, mas perceber, de "vezenquando", que algumas peças já estão no lugar. Eu sigo gostando do que vem, do que invento pelo caminho, do que ainda não sei explicar. 

Tem coisa que não precisa durar para ter valido a pena. 

E tem coisa que fica só porque fez bem ficar.



domingo, 16 de agosto de 2026

.algumas histórias continuam procurando uma mesa.

 


Há lugares que a gente acredita ter deixado para trás.

Lugares que ficam guardados em alguma gaveta da memória, junto com fotografias antigas, músicas que marcaram uma época e conversas que nunca terminamos.

Mas alguns lugares são diferentes.

Eles não acabam.

Eles apenas esperam.

O VezenquandoPub nasceu assim: de uma mesa solitária, de uma vontade de escrever, de uma necessidade quase inexplicável de colocar em palavras aquilo que passava pela alma.

Era um lugar para divagar sobre a vida.

E, como acontece nas melhores histórias, alguém chegou.

Depois outro alguém.

E mais outro.

De repente, aquela mesa já não era mais minha. Havia vozes diferentes, histórias diferentes, risadas diferentes. O pub ganhou novas mesas, novos frequentadores e novas conversas.

As amizades ultrapassaram fronteiras e tudo acabou em uma mesa de bar.

O tempo passou.

Nós também passamos.

A vida nos chamou para outros lugares, outras escolhas, outros caminhos. Algumas cadeiras ficaram vazias. Algumas mesas ficaram em silêncio.

Mas o curioso sobre as histórias é que elas não precisam de quem escreveu para continuar existindo.

Elas encontram seus próprios caminhos.

Enquanto não estávamos sentados às nossas mesas, alguém, em algum lugar, ainda entrava pela porta.

Alguém lia uma antiga conversa.

Alguém encontrava uma palavra.

Alguém se reconhecia em uma história escrita há anos.

E talvez essa seja a magia deste Pub:

ele nunca fechou.

Nós é que, por algum tempo, não estivemos sentados nas nossas mesas.

Hoje voltamos a ocupar algumas cadeiras.

Não para tentar recuperar o tempo que passou, porque o tempo não volta.

Voltamos para continuar a conversa.

Porque algumas mesas guardam marcas de antigos encontros.

Algumas esperam novas histórias.

E algumas pessoas, mesmo depois de tantos anos, ainda sabem exatamente o caminho até o balcão.

O VezenquandoPub continua aberto.

A luz continua acesa.

A mesa continua posta.

E, como sempre, a próxima história começa quando alguém decide sentar.

Bem-vindos novamente.

A casa continua aberta.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

.ainda dá tempo.

 


O tempo é esse sujeito esquisito que a gente tenta domesticar, mas ele sempre escapa. Vive passando com ares de quem não deve explicação. Um dia corre, no outro se arrasta, e a gente fica tentando sincronizar o relógio com algo que nunca para quieto.

No amor, então, o tempo é ainda mais sacana. Quando a gente tá dentro, parece que o relógio fica bêbado: cinco minutos viram uma eternidade e uma semana passa num estalo. E quando acaba... porque tudo, de algum jeito, acaba... o tempo vira juiz. Ele não tem pressa, mas também não tem pena. Vai desgastando o que era intenso até virar lembrança mansa, meio amarelada.

No cotidiano, o tempo veste terno e relógio de pulso. Cobra produtividade, pontualidade, foco. A gente entra na engrenagem e começa a medir tudo: quanto falta pra sexta, quanto dura o café, quanto tempo ainda dá pra amar alguém sem perder o ritmo da vida. E no meio dessa matemática fria, esquecemos que o tempo que realmente vale não se mede. Se sente.

Talvez o segredo seja parar de correr atrás do tempo e deixar que ele venha até nós. Deixar o amor desacelerar o ponteiro, fazer o cotidiano respirar. Porque o tempo, quando encontra um coração em paz, parece finalmente se sentar, pedir uma cerveja e dizer: “Calma, ainda dá tempo”.

quinta-feira, 20 de junho de 2024

.vá aonde seu coração mandar.

 



."às vezes me pergunto por que as verdades elementares são as mais difíceis de entender. Se eu tivesse compreendido, então, que a primeira qualidade do amor é a força, provavelmente os fatos teriam dado de forma diferente. Para ser forte, contudo, a pessoa precisa antes de mais nada amar a si mesma; para amar a si mesma, precisa conhecer-se em profundidade, saber tudo de si, até as coisas mais ocultas, as mais difíceis de se aceitarem. Mas como levar adiante um processo desses enquanto a vida nos atropela com o seu alarido? Só alguém provido de qualidades extraordinárias poderia agir assim desde o começo. Aos comuns mortais, as pessoas como eu e como sua mãe, só resta o destino dos galhos e das garrafas de plástico. Alguém - ou o próprio vento - joga-nos de súbito na correnteza de um rio, e graças ao material de que somos feitos, conseguimos permanecer na superfície; isto, por si só, já pode parecer uma vitória, e antes que nos demos conta já estamos deslizando velozmente na direção que nos leva a correnteza; de vez em quando, por um acúmulo de raízes ou uma pedra, somos forçados a uma pausa; ficamos ali, meio balançados pela água, até que a água sobe e nos livramos, seguindo adiante; quando a correnteza é tranquila, permanecemos na superfície, nas corredeiras submergimos; não sabemos para onde estamos indo e tampouco ficamos perguntando-nos a respeito; nos trechos mais calmos, podemos até apreciar a paisagem, as margens, as moitas; mais que os detalhes, vemos as formas, o matiz, corremos demasiado rápido para distinguir qualquer outra coisa; então, com passar do tempo e dos quilômetros, as margens se afastam, o rio fica mais largo. "Para onde estou indo?" perguntamo-nos, e nessa mesma hora o mar se abre a nossa frente."


Trecho do livro: Vá aonde seu coração mandar

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

.o amor.

 





No centro de nossas vidas, brilha uma força incomparável: o amor. É a cola que une nossos corações e enche nossos dias de significado. O amor não conhece limites, transcende o tempo e o espaço, e é a essência mais pura da nossa existência.

Às vezes, as pessoas podem seguir caminhos diferentes, mas o amor entre almas é eterno. É uma ligação profunda que nunca desaparece. Mesmo quando estamos separados fisicamente, nossas almas permanecem entrelaçadas, continuando a escrever a história do nosso amor.

Cada momento de amor é uma dádiva preciosa que devemos valorizar. As risadas compartilhadas, os abraços apertados, os pequenos gestos de carinho - todos esses são fragmentos do amor que nos tornam completos. Celebrar o amor é celebrar a vida em sua forma mais pura.

É importante lembrar que o amor não é apenas romântico. Ele se manifesta em nossos laços familiares, amizades sinceras e conexões profundas com aqueles que nos rodeiam. O amor é a força que nos une como seres humanos, nos inspira a cuidar uns dos outros e a construir um mundo melhor.

Portanto, não importa a forma que o amor assume em nossas vidas, ele é uma dádiva eterna que nos conecta e nos eleva. Valorize cada momento de amor, pois é a verdadeira essência da nossa jornada." ❤️

segunda-feira, 14 de junho de 2021

.vai lá errar logo, mulher!.


 

Só de pensar em errar e na vergonha de ser julgada já dá pra sentir o calafrio subindo a espinha, né?

Eu sei, sempre funcionou assim, por aqui também. 

A gente só quer acertar e ter aprovação. Da família, dos amigos, do marido, dos vizinhos, do chefe, dos colegas de trabalho, do cachorro, do papagaio e até de quem a gente nem conhece.

Extenuante.

Irreal.

Absolutamente inalcançável, amada!

Enquanto a gente só aceita a perfeição e o acerto, a gente se paralisa. 

Se desumaniza.

E O MEDO DO ÓBVIO E INEVITÁVEL, QUE É ERRAR, vira um bichão que nos bota numa gaiola e vai arrancando lasquinhas nossas, todo dia. Quando a gente se deita, quando se levanta, enquanto lava louça, toma banho, o tempo todo.

Vamos minguando, dando passinhos pra trás e lá pro fundinho da gaiolinha.

‘Eu num vô sair daqui, o erro tá la me esperando. E eu nem tenho mais idade pra enfrentar isso. Nemm!’

O que a gente não costuma saber (ou lembrar), amada, é que o medo e o erro cagam de medo da ação. Da coragem honesta e humilde de tentar.

Quando você gira a chavinha, bota a ponta do pezinho pra fora e estica a cabeça, você enxerga que, apesar real, esse bicho nem é tão feio e tão grande assim.

E a cada passinho seu pra frente, ele dá dois pulos pra trás. E a coragem vai chegando.

Uma coragem feita de microcoragenzinhas, que não vão eliminar o erro, mas vão te ajudar a vê-lo como uma bela de uma oportunidade de crescer e de se libertar de muitas crenças e bobagens.

Quem nunca errou nem nasceu. Quem pouco errou, pouco sabe. Quem muito errou, muito aprendeu (as crianças sabem disso!).

Saiba que todo mundo que te inspira um dia rompeu esse medo desproporcional do erro e do julgamento. Primeiro pq entendeu que o mundo não tá assim tão prestando atenção em tudo o que a gente faz (Isso é ego puro). E segundo pq desencanou e viu que não há caminhada humana sem erro, aprendizado e reajuste de rota.

O erro é uma espécie de degrau ou saliência SEMPRE PRESENTE na pista rumo à seja-lá-onde-você-gostaria-de-estar ou quem-gostaria-de-ser.

Então, vai lá errar logo, mulher.

Abraça esse bichão, chama de seu, pega na mãozinha dele e caminha. Livre!

(PS: este post tá cheinho de medo de errar 😂)


Texto lindo da Mivla Rios

segunda-feira, 26 de abril de 2021

.Kintsugi: a beleza das cicatrizes da vida.

 

.
.
.

"Tudo o que fazemos é marcado pela fragilidade da nossa condição. Somos essa coisa humana, provisória, incerta, inacabada, imperfeita.

Mas somos também poeira enamorada. Há em nós alguma coisa de maior, mesmo no erro.

Beckett dizia: errar, errar mais, errar mais, errar melhor. No erro podemos encontrar um caminho."


José Tolentino Mendonça
(Expresso, Fev., 2013)





O ‘kintsugi’, uma técnica centenária do Japão que consiste em reparar as peças de cerâmica quebradas, transformou-se numa filosofia de vida. Diante de erros e adversidades, é preciso saber se recuperar e superar as cicatrizes.

Em uma época dominada por consumismo e obsolescência programada, o mais provável é que, se um dia você levantar com o pé esquerdo, tropeçar e deixar cair a xícara do café, simplesmente se resignará a juntar os pedaços e a jogá-los no lixo. Algo impensável no Japão. 

Há cinco séculos, surgiu no Extremo Oriente o kintsugi, uma apreciada técnica artesanal com o objetivo de reparar uma tigela de cerâmica quebrada. Seu proprietário, o xogum Ashikaga Yoshimasa, muito apegado a esse objeto indispensável para a cerimônia do chá, mandou consertá-lo na China, onde se limitaram a fixá-lo com alguns grampos toscos. Insatisfeito com o resultado, o senhor feudal recorreu aos artesãos de seu país, que propuseram finalmente uma solução atrativa e duradoura. Encaixando e unindo os fragmentos com um verniz polvilhado com ouro, eles restauraram a forma original da cerâmica, embora as cicatrizes douradas e visíveis tenham transformado sua essência estética, evocando o desgaste que o tempo provoca sobre as coisas físicas, a mutabilidade da identidade e o valor da imperfeição. 

Assim, em vez de dissimular as linhas de fissura, as peças tratadas com esse método exibem as feridas de seu passado, adquirindo uma nova vida. Tornam-se únicas e, portanto, ganham beleza e intensidade. Alguns objetos tratados com o método tradicional do kintsugi – também conhecido como “carpintaria de ouro” – inclusive chegaram a ser mais apreciados que antes de quebrar. Desse modo, a técnica se transformou numa potente metáfora da importância da resistência e do amor próprio frente às adversidades.

O ‘kintsugi’ evoca o desgaste que o tempo provoca sobre as coisas físicas, dando valor às nossas imperfeições.

A filosofia vinculada ao kintsugi pode se aplicar à nossa vida atual, repleta de ânsias de perfeição. Ao longo do tempo, conhecemos fracassos, desenganos e perdas. Mas pretendemos esconder nossa natureza frágil, que nos faz mais humanos e autênticos, sob a máscara da infalibilidade e do sucesso. Ocultamos os defeitos, embora tenhamos falhas desde que nascemos.

O jornalista alemão Adam Soboczynski diz no livro El Arte de No Decir la Verdad (a arte de não dizer a verdade) que aprendemos a camuflar “com grande esforço, e mantendo a compostura, inclusive a mais terrível das comoções que nos atingem”.

Somos vulneráveis não apenas do ponto de vista físico, mas também psíquico. Quando as adversidades nos superam, nos sentimos quebrados. Às vezes, é o acaso que nos leva ao ponto de ruptura; em outras, somos nós mesmos, com nossas elevadas expectativas não realizadas e a avidez do novo, que complicamos a nossa vida. 

O filósofo catalão Josep Maria Esquirol afirma que “a memória e a imaginação são as melhores armas do resistente”. Como animais dotados de criatividade, temos uma poderosa ferramenta na capacidade de conceber alternativas à realidade. Quando sopram ventos ruins, contudo, o que mais nos ajuda a resistir à investida? Segundo a escritora norte-americana Joan Didion, a resposta é o verdadeiro amor próprio. As pessoas com essa qualidade “são duras, têm uma espécie de valentia moral; exibem essa faceta que antes se chamava personalidade”. E alcançar uma vida plena também envolve a capacidade de se livrar das expectativas alheias e deixar para trás a compulsão de agradar.

Não há recomposição, nem ressurgimento, sem paciência. No kintsugi, o processo de secagem é um fator determinante. A resina demora semanas, ou até meses, para endurecer. É o que garante a coesão e a durabilidade. Entre os cultivadores da paciência, Kafka ocupa um lugar de destaque. Para ele, a capacidade de saber sofrer e tolerar infortúnios era a chave para enfrentar qualquer situação. Um dia, enquanto passeava com um amigo, Kafka lhe deu um conselho: “É preciso deixar-se levar por tudo, entregar-se a tudo, mas conservando a calma e tendo paciência. Só há uma forma de superação, que começa superando-se a si mesmo”. A receita para viver do autor de O Processo é simples, mas nem por isso menos difícil: “Temos que absorver tudo pacientemente em nosso interior, e crescer.”

Saber valorizar o que se rompe em nós traz uma serenidade objetiva. Gostemos de nós como somos: quebrados e novos, únicos, insubstituíveis, em permanente mudança.

Saiu daqui.

.
.
.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

.tempos difíceis.


A Torre de babel cumprindo seu papel. Ninguém se entende mais por mais simples que seja. Venceu a divergência e o mundo ficou tão pequeno com muita gente cheia de razão, pouco amor... Muito veneno. Ah! Saber onde estou. O meu lugar neste mundo o Universo conspira a favor.

Sob o mesmo céu e acima do mar temos o mesmo destino e ninguém vai escapar. Para que tanta arrogância se estamos sempre por um fio. É tanta gente cheia de razão, pouco amor... Peito vazio. Ah! Saber onde estou. O meu lugar neste mundo o Universo conspira a favor.



Há braço!!

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

.eu morri.

Queria contar que eu morri. Demorei pra entender, mas há pouco mais de 3 meses eu morri.

Na verdade, agora entendo que eu já vinha morrendo há bem mais tempo, embora não tivesse muita consciência disso. Eu vivia completamente sedada, no piloto automático, infeliz apesar das minhas conquistas pessoais e profissionais. Eu simplesmente seguia, não olhava pra dentro de mim, não me questionava, não me ouvia. Só seguia. Eu me sentia morta-viva-seguindo-a-boiada, mas seguia. Seguia com aquele desconforto, fingindo que ele não estava lá. Sem coragem pra tentar mudar. Seguia o fluxo que a sociedade, a família, o mercado, as pessoas (que eu não sei nem exatamente quais eram) esperavam de mim. E eu parecia ser boa nisso! Então, eu seguia.

Seguia, parecia ser boa, mas não era bom pra mim. Alguma coisa estava errada. Lá no fundo, quando deitava a cabeça no travesseiro, eu sentia muita vontade de mudar, de buscar um estilo de vida menos robotizado, pasteurizado, previsível e superficial. Aquele roteiro de vida não me satisfazia. Eu queria experimentar outra estória. Aquela roupa social não me vestia mais. Aquele cenário me parecia cafona. Eu não me enquadrava no figurino, eu não entendia o enredo, eu nem mesmo gostava das falas dos personagens. Eu atuava até bem, mas não conseguia enxergar um final feliz.

Mergulhar na meditação e nos ensinamentos budistas foi o gatilho que desencadeou o processo. Por meio da quietude e do silêncio pude ouvir da minha alma sobre quem eu realmente era, pude me organizar internamente e escancarar as portas para a mudança. E ela veio com força! Um caminhão de mudança (ladeira abaixo e sem freio!) me atropelou. Em menos de 1 mês eu “perdi” todas as amarras que me prendiam naquele papel, naquela vida.

Eu tinha então duas opções. Tentar me salvar, me internar, fazer um longo tratamento intensivo, colocar umas próteses, fazer fisioterapia, talvez umas sessões com psicólogo, pra superar o trauma, e voltar pro palco recuperada à partir da mesma antiga estrutura ou me entregar e aproveitar pra morrer daquilo tudo.

Eu escolhi morrer. Morri e reencarnei aqui na ilha da esmeralda, do verde, da esperança. Tô renascendo, crescendo, aprendendo a viver diferente. Acho que sou uma criança ainda! Não sei falar bem a língua e quase não entendo o que eles falam. Estou aprendendo a me comunicar. Às vezes me confundo na rua, pois o trânsito me parece ao contrário. Estou aprendendo a andar. As comidas têm nomes e sabores diferentes. Estou aprendendo a comer. Quase todo dia é cinza, quase todo dia chove, quase todo dia é frio. Minhas roupas antigas não serviriam aqui. Estou aprendendo a me vestir. Ninguém me conhece e não conheço quase ninguém. Estou aprendendo a fazer novos laços.

Ainda não faço ideia de quem sou e tenho vaga memória de quem fui. Só sei que tive a oportunidade de nascer de novo na mesma vida. Aprendi que a referência é interna, que é a alma que aponta o caminho. Eu não tenho mais um destino ou objetivo imposto de fora pra dentro. Eu respeito as pessoas e suas escolhas, mas agora tenho os meus sonhos como bússola pra escrever a minha própria história. Sem cobranças, sem padrões, sem receitas, sem rótulos, sem expectativas.

Obrigada, Galway, por ser o berço do meu renascimento!

Texto lindo da Mivla Rios. Tirei daqui.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

.pausa pra falar de amor.

Vamos fazer uma pausa.

Por um instante lembra do meu olhar,
que pára no teu olhar.

Lembra do meu coração que bateu tão forte.
Lembra?

Tempo passa.
Passou?

Não.

Ensaio de repeteco, era garantido.
Juro que ouvi.

Mas...não deu.
Porque? Nunca sei.

Espera.
As vezes nem sinto.
Outras, quase morro.

Distância,  ajuda.
Mas o corpo, coitado
Ansioso
Ainda treme.


"Então me diga, 
Se você ainda gosta de mim.
Porque de você eu gosto.
E isso não deve ser assim, tão ruim."

Resultado de imagem para amor


quarta-feira, 26 de setembro de 2018

.herrar é umano.


Relacionamento humano deveria ser simples... Pra que complicar?
Quanto, realmente, aprendemos com os nossos erros?
Quantas vezes precisamos errar para aprender?
Muitas vezes o erro persiste não por ignorância. Persiste por acreditarmos que as pessoas mudam com o tempo e então vamos lá e fazemos tudo igual!
Repetir o erro é acreditar que algo pode mudar...
(...) 

“O que nos causa problemas não é o que não sabemos. É o que temos certeza que sabemos e que, no final, não é verdade”
Mark Twain
Escritor americano (1835-1910)

terça-feira, 25 de setembro de 2018



.A vida pode mais.

Antigamente, para bater uma foto, era necessário  ter uma máquina, comprar um filme, revelar e então, se emocionar!

Depois, para bater uma foto, era necessário  uma máquina digital, colocar o card no computador e ver imediatamente. Ansiedade do passado, resolvida!

Agora, basta ter o celular, encontrar a imagem, pegar o celular e então.... registrar!

Contrário a rapidez do registro, nossos olhos estão longe. Não estamos vendo a vida passar. Mas ela passa tão rápido na tela. Na tela ela passa, na tela tem o mundo e o mundo está na minha mão. Ela vem pronta, em formato ideal, formato pronto. Não preciso pensar, nem criar. Só preciso ansiosamente esperar pela próxima imagem, que alguém colocou lá.

De cabeça baixa, a massa passa.

A imagem da tela sobrepõe à imagem da vida real. E cadê a vida? Passou uma hora, duas horas....foi!

Na vida real, a mensagem grita, e te avisa:


Levanta tua cabeça, sai da tela, olha a vida real. 

Ela te diz que pode muito mais.

Acredita.

Testa. 

Olha pra cima. 

Hoje.

Registra. 

Vive!

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

.amizades modernas.

Prestes a completar 150 mil acessos no vezenquando pub, eu escolhi (re) postar hoje um dos textos do blog que mais me 'tocam': amizades modernas, do nosso amigo vezenquandista Pablo.

Esse post resume bem o que nos une neste espaço virtual e a importância da nossa amizade!

Curte aí! :)

Com o avanço tecnológico as coisas vão mudando, as pessoas vão mudando e tudo muda muito rapidamente. Nossos conceitos também!

Eu sou do tempo que não existia e-mail. Que internet era coisa de outro mundo (ou outros países). E quando inventaram o ICQ, todo mundo ficou maravilhado.... lembro que fiquei tri feliz quando aprendi a criar e usar uma conta de e-mail. E ficava mais feliz ainda quando recebia uma mensagem de alguém.

Agora tudo avançou muito rapidamente. Hoje temos celulares com câmeras de alta resolução e que acessam a internet e podem compartilhar tudo que registramos.. tudo isso enquanto você pega um ônibus ou está trancado em um engarrafamento.

Mas nesse mundo moderno em que vivemos existem muitas contradições.
Ideias como: redes de amizades, compartilhamento de informações, redes sociais, globalização, encurtamento de distâncias... convivem tranquilamente com o egocentrismo das pessoas, a crescente violência, hipocrisia das autoridades, desigualdades sociais e coisas do gênero. As pessoas estão cada vez mais egoístas, ignorantes (em todos os sentidos)... se matam por brigas no trânsito, só pensam em tirar vantagens sobre os outros... enfim, um caos.
Sobre todas as coisas que mudaram nos últimos tempos, esses dias parei para pensar especialmente sobre uma delas: as amizades.

Não sei se isso ocorre somente comigo, mas hoje tenho dificuldade de fazer amizades sólidas. Não me refiro aos “conhecidos”, porque isso ainda é fácil, mas me refiro às amizades como antigamente... aquelas pessoas que a gente pode contar em todos os momentos, bons e ruins. Achei que a internet fosse facilitar.. mas hoje penso que não facilitou nem dificultou.. apenas modificou... as relações mudaram.

Tenho amigos do passado que mantenho uma proximidade até hoje. Pessoas que conheço desde os tempos de Lobinho (do grupo escoteiro), e que ainda falo semanalmente. Tenho amigos que moram no exterior e que, se não fossem os meios virtuais, eu não teria como manter contato frequente.
Entretanto, no dia a dia, nas empresas, nos círculos sociais, parece que as amizades são muito superficiais.. parece que fica difícil adquirir confiança...

Mas daí surgem algumas pessoas que, através de um simples blog, criam vínculos absurdamente sólidos. Pessoas que você nem conhece pessoalmente, mas que são capazes te entender plenamente. Pessoas que estão distantes, mas enxergam nossas lágrimas e percebem o momento de nos consolar. Pessoas que nos fazem sorrir mesmo em momentos difíceis e que nos deixam preocupados no caso de eventuais desaparecimentos. São pessoas que talvez nunca tenham a dimensão dos efeitos que causam em nossas vidas, mas que são realmente importantes.
Como "somos responsáveis pelo que cativamos", não devemos tratar com descrédito essas amizades virtuais... elas são tanto ou mais importantes do que as outras.

.Filosofias. Palavras Escorridas.

"Mesa de bar... é lugar para tudo que é papo da vida rolar..."

Mesa 6. Independentemente do líquido que dispara a filosofia...........


Solta a tua filosofia, o teu pensamento, o amor (estado de espírito) que tem dentro de ti, pega a caneta, escreve no azulejo.

Faça presente nesse mundo o melhor que existe em ti e deixa a gente ver.
Não demora.


Vezenquando a gente adora uma filosofia, de buteco.




Foto: Rita Aurelio
Mesa Original: de azulejo, que ficava no JK do Bruno Gazola.
Ano: 2013.
Bebida que originou a Filosofia: Água.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

.sonho.


"sonho (s.m.)

é a semente mais querida do jardim da nossa vida e a mais difícil de fazer florescer. tem que regar todo dia com dedicação e vontade. tem que adubar e proteger da secura do desânimo. é a nossa parte mais sincera. é quando a gente deixa de lado todos os "mas..." e diz o que realmente quer e é. a gente pode ter mais de um, não tem problema. o problema é desistir.

DOEDERLEIN, João. O livro dos ressignificados. 1ª ed.  São Paulo: Paralela, 2017."

segunda-feira, 4 de julho de 2016

.vivir sin miedo.






O medo ameaça: se você ama, terá Aids; se fuma, terá câncer; se respira, terá poluição; se bebe, sofrerá acidentes; se come, terá colesterol; se fala, terá desemprego; se caminha, terá violência; se pensa, terá angústia; se duvida, terá loucura; se sente, terá solidão.

Para ter fôlego, é preciso ter desalento. Para levantar tem que saber cair. Para ganhar tem que saber perder. Temos que saber que assim é a vida e que você cai e levanta muitas vezes. Alguns caem e não levantam nunca mais, geralmente os mais sensíveis, os mais fáceis de se machucar, as pessoas que mais dor sentem ao viver. As pessoas mais sensíveis são as mais vulneráveis.

Em contrapartida, esses ***** que se dedicam a atormentar a humanidade, vivem vidas longuíssimas, não morrem nunca, porque não têm uma glândula, que é bem rara e que na verdade se chama consciência. É a que nos atormenta pelas noites.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

.sinta.

Entre tudo isso que sinto
Três sentimentos tomam conta de mim
Amor, amor e amor
(...)
Explicar sentimento não é tão difícil assim, não sendo o meu, tenho uma explicação. Conseguir compreende-lo por inteiro é para poucos. Conheço quem afirme saber o que sente. E eu acredito. Mas viver este sentimento, deixar ele agir por dentro, de verdade... só para os fortes.
“A vida da gente anda tão corrida que já não se tem tempo para as tolices sentimentais. ” Escutei isso numa conversa entre duas mulheres que caminhavam á minha frente enquanto eu voltava para o hotel.
"Tolices sentimentais"... Sei lá, talvez eu tenha escutado errado, peguei o bonde andando... mas refleti sobre o tema durante a caminhada.
Como explicar a coragem sem conhecer o medo
Como explicar a felicidade sem conhecer a tristeza
Como explicar o prazer sem conhecer a dor
Como explicar a raiva sem sentir o...
Precisamos permitir o sentimento: viver o luto, chorar a tristeza, gritar a raiva... viver o amor


(...)
Em algum lugar do tempo perdemos a fé?
Nas manhãs cinzas do outono porto alegrense?
¿En las calles cobiertas de hojas muertas?
Ou no medo de descobrir o que se sente?
(...)
Há braços!