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quarta-feira, 5 de novembro de 2025

.ainda dá tempo.

 


O tempo é esse sujeito esquisito que a gente tenta domesticar, mas ele sempre escapa. Vive passando com ares de quem não deve explicação. Um dia corre, no outro se arrasta, e a gente fica tentando sincronizar o relógio com algo que nunca para quieto.

No amor, então, o tempo é ainda mais sacana. Quando a gente tá dentro, parece que o relógio fica bêbado: cinco minutos viram uma eternidade e uma semana passa num estalo. E quando acaba... porque tudo, de algum jeito, acaba... o tempo vira juiz. Ele não tem pressa, mas também não tem pena. Vai desgastando o que era intenso até virar lembrança mansa, meio amarelada.

No cotidiano, o tempo veste terno e relógio de pulso. Cobra produtividade, pontualidade, foco. A gente entra na engrenagem e começa a medir tudo: quanto falta pra sexta, quanto dura o café, quanto tempo ainda dá pra amar alguém sem perder o ritmo da vida. E no meio dessa matemática fria, esquecemos que o tempo que realmente vale não se mede. Se sente.

Talvez o segredo seja parar de correr atrás do tempo e deixar que ele venha até nós. Deixar o amor desacelerar o ponteiro, fazer o cotidiano respirar. Porque o tempo, quando encontra um coração em paz, parece finalmente se sentar, pedir uma cerveja e dizer: “Calma, ainda dá tempo”.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

.o melhor de mim.



"Não é nas estrelas que devemos confiar nosso destino,
mas em nós mesmos."



"Tudo que acontece,
acontece por uma razão."


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

.amores e distância.

Recebi este texto da Cris, da mesa 8, e resolvi compartilhar aqui na minha mesa. É um texto lindo da Ruth Manus e saiu daqui.


Amores e distância

Era uma vez uma pessoa. E era uma vez outra pessoa. E era uma vez um amor. E como se já não bastassem todas as complicações inerentes ao amor, este vinha com um bônus: quilômetros.

Quilômetros de distância que estavam lá por alguma razão. Trabalho, estudo, família, raízes, origens, destino, sorte ou azar. Quilômetros estes pelos quais circulavam diariamente as tradicionais e inevitáveis saudades, as inegáveis angústias, a latente ansiedade e a eterna sensação de ser um pouco injustiçado pela vida.

Era uma vez essa história clássica, espalhada pelo mundo como vírus, mas que é sempre nova e fresca e que vive em milhares ou milhões de peitos com essa avassaladora capacidade de causar transtornos e alegrias na mesma medida.

Seriam “amor” e “distância” palavras incompatíveis por natureza? Ou seriam daquelas palavras que se atraem como imãs na sede de criar histórias dignas de roteiros de cinema, atravessando oceanos, desafiando o tempo e todas as probabilidades?

Seria uma espécie de teste? Uma prova para atestar o quão dispostos estamos a nos dar? Seria provação? Uma avaliação para tentar demonstrar nosso grau de interesse pelo amor?

Sei que, por vezes, parece piada de mau gosto do destino. Quando, por exemplo, nos flagramos invejando um casal que está tendo o luxo de passear de mãos dadas. Quando esticamos o braço na cama durante a noite e tudo o que encontramos é espaço vazio. Quando descobrimos que o olfato também sente saudades, como se todo o resto já não fosse suficiente.

E os palcos para as mais belas cenas de amor deixam de ser o entardecer na praia ou a tarde chuvosa no campo para serem um saguão de aeroporto às 7 da manhã de uma terça-feira, uma rodoviária lotada no fim do dia ou uma estação de trem cheia de rostos desconhecidos e completamente alheios à sua história.

E você então descobre pequenas dores em atos que sequer fazia ideia de que existiam: acariciar rostos em fotos; passar perfume para falar no Skype; adormecer com o celular na mão, tentando vencer o sono e a distância e acabar sucumbindo a ambos; fazer da vida uma contagem regressiva, sem se lembrar que cada dia vencido é um dia a menos de vida.

Descobre novos surtos e neuroses, nos quais a frase “vou tomar uma cerveja” é lida como “vou tomar 14 cervejas, 8 whiskys e 5 doses de tequila com 18 mulheres de 1,80m, cabelos sedosos e seios fartos”. Ou a frase “vou sair para jantar” é lida como “vou sair para jantar de cinta-liga, salto 15 e seguir diretamente para uma bunga bunga do Berlusconi”. Acontece. Não é fácil não pirar.

E acaba descobrindo também algumas novas alegrias: as promoções de passagens, o súbito momento em que o sinal do 3G é bom o bastante para aguentar 7 minutos de Viber, o prazer de acordar com uma notificação querida de whatsapp. É uma verdadeira arte de buscar ânimo em pequenas coisas.

Mas a verdade é que não é fácil. É bem mais difícil do que matar um leão por dia. Porque a saudade a gente não tem como matar. A falta a gente não tem como suprir. A ausência a gente não consegue aceitar sem uma certa relutância.

Mas é realmente incrível nossa capacidade de adaptação. O esforço do cérebro para tornar as lembranças um pouco sensoriais: a memória do toque, do cheiro, do gosto. O dia a dia que vai se ajeitando. O coração que se acalma um pouco, mas que continua batendo forte a cada pequena lembrança.

Tem dias em que a gente se questiona. Faz mesmo sentido? Até quando? Até onde vamos? Tem dias de “e se…”. E se não der certo? E se for perda de tempo? E se a gente não der conta?

Mas, no fim, a verdade é que, se é amor mesmo, a gente sabe que vale a pena. Cada passo, cada suspiro, cada quilômetro encarado. E a gente sabe que não tem saída: viver o romance impossível é mil vezes melhor que não viver o romance. E que, no fundo, essa ânsia dolorida faz com que a gente se sinta extremamente vivo a cada dia.

E amar no conforto, no sólido, no concreto é sempre lindo. Mas amar no desafio, no sacrifício diário, na corda bamba é gigante. É para os fortes. Os corajosos. Os dispostos. Os que declaram, seguros, para a vida:


“Vim para amar.
E vou amar.
Não importa como, eu vou.
E não me ofereça um amor mais fácil.
É esse que eu quero.
Esse é o meu.
Não tem outro.”.

segunda-feira, 31 de março de 2014

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

.felicidade.

Umas farão de uma forma; outras, de forma inteiramente diferente. Não há uma regra que sirva para todas. Não há uma forma única de amar ou de ser feliz. Cada um de nós precisa de um tipo de resposta emocional e de parceria. Ela será encontrada em pessoas e situações diferentes. É simples.

É claro que existem comportamentos gerais, mas quem se interessa por eles? Não vivemos no interior de uma estatística. Cada um de nós habita a própria vida, convive com os próprios desejos, um dia de cada vez. A gente faz o que pode, nas circunstâncias que nos são oferecidas, com mais ou menos coragem e discernimento. Deixem aos sociólogos, em 100 anos, o trabalho de quantificar nosso comportamento. Até lá estaremos mortos, mas talvez tenhamos sido felizes.

|| Ivan Martins, na Época, repetindo que felicidade é um conceito variável. Cada um habita a própria vida, convive com os próprios desejos. ||

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

.quando se aprende a amar, o mundo passa a ser seu.


“Então me diga que nunca imaginou/A gente ser feliz num dia de amor”

(...)
DA PORTEIRA PRA DENTRO

Meu coração a galope mais rápido que o pensamento
Quando penso no meu amor que deixei a poucos momentos
Que ficou quando parti, deixei da porteira pra dentro.

Não quero falar de tristeza, nem tão pouco de partida.
Pois é da porteira pra dentro que começa a minha vida
Pois é da porteira pra dentro que começa a minha vida

A porteira é o meu coração e dentro só tem você
Que se abre de alegria no momento em que te vê.
Que se abre de alegria no momento em que te vê.





Da Porteira Pra Dentro... música do meu irmão, Cesar Santos e letra da minha mãe, Olga.

A minha mãe tem uma facilidade incrível para escrever seus versos. O Cesar, por sua vez, herdou o talento musical. Queria ter 1/3 do talento nato de cada um deles... Cabe a mim me contentar com meus rabiscos...

 
(...)

                                                            Todas as vezes que eu olho nos teus olhos
                                                            Todas as vezes que eu lembro o teu sorriso
                                                            Todas as vezes que eu te vejo, eu desejo...
                                                            Não acordar mais... não acordar mais.

                                                            Todas as vezes que acordo está comigo
                                                            Todas as vezes que imagino o teu rosto
                                                            Todas as vezes que te beijo, eu desejo...
                                                            Não acordar mais... não acordar mais.

                                                            Todas as vezes que eu tento e não consigo
                                                            Todas as vezes que me responde em silêncio
                                                            Todas as vezes que te escrevo, eu desejo...
                                                            Não acordar mais... não acordar mais.
                                                                                                                                                               (Marcus de Carvalho)
 
(...)
 
"O inverno querendo se despedir e eu que já havia dado tchau."
 
 
 
Há braços!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

.pra ti.

Sentir, sem saber ao certo o que diz o coração
Sem viver de fato esse grande amor...
Sem te ver, impossível não chorar.
Só depois que os sinos tocam eu vou despertar
Desse sono profundo que é meu viver,
Por viver a te amar.
 
Aprendi, que o tempo seca as feridas
Que permanecem vivas as cicatrizes...
Que ao te ver, é impossível não sorrir.
Nem depois que o mundo acabe eu vou acalmar
Essa vida louca que é meu viver,
Por vivar a te amar.
 
Renascer, ressurgir das cinzas, aprender a voar
Ressurgir em sonhos, não mais despertar...
Ressurgir apenas para o teu amor.
E depois que a linha do tempo eternizar
Essa vontade louca que é meu viver
Vou viver a te amar.
(Marcus de Carvalho)



Há braço!

quarta-feira, 31 de julho de 2013

.cada verso.

Há anos procuro a gravação de uma música minha com arranjos do meu irmão... ou melhor, procurava, já havia desistido de encontrar, até que do nada ela começa a tocar no som do carro durante a viagem de férias ao Velho Oeste. “Cada Verso” é o nome do tema. Gravado ao vivo no festival de música que rolou em Uruguaiana por duas edições, no caso, segunda edição do MUSI SESC 2002.
(...)
Mas afinal, como foi parar no som do carro?
Putz, para responder a esta pergunta terei que confessar um delito.
Na minha última estada em Uruguaiana, em abril do corrente ano, acabei pegando emprestado o carro da minha irmã... dentro, uma pasta/porta CDs. Não resisti à tentação e dei de mão no artefato com a intenção de, durante a noite, escutar e, logicamente, fazer uma triagem do que me interessava e devolver... o resto.  Mas como esta minha ida a fronteira foi a trabalho, joguei na mala e acabei trazendo pra capital e me esquecendo da existência da tal pasta/porta CD.
(...)
Na semana passada, durante a viagem escutamos todos os CDs na ordem de disposição dentro da pasta, este era o último... Quenn, Eric Clapton até que começou um repertório com músicas do meu irmão Cesar Santos, entre elas a que ele fez para o primeiro Musi Sesc em 2001. Ao ouvi-la, lembrei da minha e pensei comigo: “Bem que a próxima desse CD poderia ser “Cada Verso”.
Incrível! Tenho poderes. A música começou a tocar.

Me emocionei, comecei a falar desse tema e da sensação que estava sentindo ao escuta-lo depois de mais de 10 anos e tal. Olhei pro lado, Luciana dormindo. Olhei pelo retrovisor, meus três filhos dormiam também... só a Ayscha me olhava com uma cara de quem não estava entendendo nada.
(...)
Bueno, para registro e não mais perde-lo, aí está.





Há braços

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

.nota mental, caso o mundo acabe.

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.a saudade é nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.

[ Rubem Alves ]
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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Ah, o amor!


" Queria ser castigada por ter sido feliz antes de você."

Belo?
Assim abro os trabalhos desta terça-feira pedindo uma Stela bem gelada na mesa 8!
Depois de um dia muito quente e "pesado", vou compartilhar minha leitura de feriado.
O trecho que cito vem do prefácio  de Jean Paulhan. Com maestria ele elucida o que está contido nas páginas do livro A História de Ó de Pauline Réage.
Este romance  foi publicado na França dos anos 50 e  causou enorme escândalo literário.
Escrito por uma mulher,  "Ó"  nasceu como uma carta de amor, talvez a mais impetuosa que um homem já recebeu de uma mulher.
Tem um final feliz Carla?
Não irei revelar o desfecho com o intuito de "castigar" tua curiosidade!
Agora lhes pergunto: Alguma vez vocês já se viram fazendo este questionamento?
Com certeza eu não gostaria de ser castigada, mas muito já castiguei em pensamento aquele que ousou ser feliz antes da minha chegada!
E para não os embriagar no 2º dia da semana, vou fazer cessar esta tensão psíquica com um vídeo que coloca a termo o tão sonhado amor.
Good Night!