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terça-feira, 18 de agosto de 2026

.perto de tudo (inclusive de mim).

Me mudei tem alguns dias para um apartamento perto do trabalho. E quando digo perto, é perto mesmo: menos de cinco minutos de caminhada leve, tranquila, sem correria. Mudei meu horário de entrada, otimizei o sono, reorganizei a rotina. Almoço em casa todos os dias e ainda consigo sestear até cinco minutos antes do segundo turno.

Pode parecer pouca coisa dito assim, em uma frase. Mas foi tudo se encaixando depois de muito tempo de desencaixe.

Durante anos, o deslocamento foi um “imposto” invisível que eu pagava sem perceber. Aquele tempo que some entre sair de casa e sentar na cadeira do trabalho... o trânsito, a espera, o corpo já cansado antes de o dia começar. A gente se acostuma... Acha que é assim mesmo, que faz parte. Até o dia em que não é mais, e tu olha pra trás e pensa: quanto tempo de vida eu deixei pelo caminho?

Agora o caminho é um percurso curto. Saio de casa e, antes de a música da caminhada terminar, já cheguei. Sobra manhã. Sobra tarde. Sobra aquele intervalo do meio-dia que virou algo sagrado... almoço na minha própria cozinha, uma sesta curta, e a sensação de ter dois começos no mesmo dia. É luxo? É. Um luxo desses que não cabem em foto, mas que mudam o contexto de tudo.

E tem o lado de fora, que é quase bom demais pra ser verdade.

Estou perto da Redenção... aquele pulmão verde onde a cidade respira nos fins de semana, com a feira, os corredores, os cachorros, a preguiça coletiva de domingo. Perto da Cidade Baixa e do Bom Fim, que a qualquer hora têm uma mesa de bar, um som, uma conversa acontecendo. Perto do Centro Histórico, com suas fachadas que contam histórias pra quem tem paciência de olhar pra cima.

Descobri que morar perto de tudo muda o jeito como a gente habita a cidade. Deixa de ser um lugar que se atravessa de carro, apressado, e vira um lugar que se percorre a pé, no ritmo de quem tem tempo. Tu começa a notar coisas... a padaria da esquina, o gato que dorme sempre na mesma janela, o vizinho que rega as plantas de manhã. A cidade fica menor e mais íntima ao mesmo tempo.

Nada disso seria tão bom se não fosse pela parte que menos aparece na lista.

Estou perto da casa da minha primogênita. Perto dos amigos queridos, aqueles de sempre, os que fazem a diferença entre morar em um lugar e pertencer a ele. Porque no fim o que transforma um endereço em casa não é a metragem, não é a planta, não é a vista. É a distância até as pessoas.

Um apartamento perto do trabalho me devolveu tempo. Um apartamento perto dos que amo me devolveu presença. E são coisas diferentes, embora a gente só perceba quando as duas voltam juntas.

Ainda estou desempacotando caixas. Tem quadro pra pendurar, gaveta pra organizar, aquele canto que ainda não sei o que vai ser. Mas já sei de uma coisa... essa mudança não foi sobre trocar de endereço. Foi sobre reencontrar um ritmo. Sobre acordar sem pressa, almoçar em casa, sestear sem culpa e saber que, a poucos passos, tem gente e cidade e vida esperando.

Perto de tudo. E, pela primeira vez em muito tempo, perto de mim também.

domingo, 16 de agosto de 2026

.algumas histórias continuam procurando uma mesa.

 


Há lugares que a gente acredita ter deixado para trás.

Lugares que ficam guardados em alguma gaveta da memória, junto com fotografias antigas, músicas que marcaram uma época e conversas que nunca terminamos.

Mas alguns lugares são diferentes.

Eles não acabam.

Eles apenas esperam.

O VezenquandoPub nasceu assim: de uma mesa solitária, de uma vontade de escrever, de uma necessidade quase inexplicável de colocar em palavras aquilo que passava pela alma.

Era um lugar para divagar sobre a vida.

E, como acontece nas melhores histórias, alguém chegou.

Depois outro alguém.

E mais outro.

De repente, aquela mesa já não era mais minha. Havia vozes diferentes, histórias diferentes, risadas diferentes. O pub ganhou novas mesas, novos frequentadores e novas conversas.

As amizades ultrapassaram fronteiras e tudo acabou em uma mesa de bar.

O tempo passou.

Nós também passamos.

A vida nos chamou para outros lugares, outras escolhas, outros caminhos. Algumas cadeiras ficaram vazias. Algumas mesas ficaram em silêncio.

Mas o curioso sobre as histórias é que elas não precisam de quem escreveu para continuar existindo.

Elas encontram seus próprios caminhos.

Enquanto não estávamos sentados às nossas mesas, alguém, em algum lugar, ainda entrava pela porta.

Alguém lia uma antiga conversa.

Alguém encontrava uma palavra.

Alguém se reconhecia em uma história escrita há anos.

E talvez essa seja a magia deste Pub:

ele nunca fechou.

Nós é que, por algum tempo, não estivemos sentados nas nossas mesas.

Hoje voltamos a ocupar algumas cadeiras.

Não para tentar recuperar o tempo que passou, porque o tempo não volta.

Voltamos para continuar a conversa.

Porque algumas mesas guardam marcas de antigos encontros.

Algumas esperam novas histórias.

E algumas pessoas, mesmo depois de tantos anos, ainda sabem exatamente o caminho até o balcão.

O VezenquandoPub continua aberto.

A luz continua acesa.

A mesa continua posta.

E, como sempre, a próxima história começa quando alguém decide sentar.

Bem-vindos novamente.

A casa continua aberta.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

.sinta.

Entre tudo isso que sinto
Três sentimentos tomam conta de mim
Amor, amor e amor
(...)
Explicar sentimento não é tão difícil assim, não sendo o meu, tenho uma explicação. Conseguir compreende-lo por inteiro é para poucos. Conheço quem afirme saber o que sente. E eu acredito. Mas viver este sentimento, deixar ele agir por dentro, de verdade... só para os fortes.
“A vida da gente anda tão corrida que já não se tem tempo para as tolices sentimentais. ” Escutei isso numa conversa entre duas mulheres que caminhavam á minha frente enquanto eu voltava para o hotel.
"Tolices sentimentais"... Sei lá, talvez eu tenha escutado errado, peguei o bonde andando... mas refleti sobre o tema durante a caminhada.
Como explicar a coragem sem conhecer o medo
Como explicar a felicidade sem conhecer a tristeza
Como explicar o prazer sem conhecer a dor
Como explicar a raiva sem sentir o...
Precisamos permitir o sentimento: viver o luto, chorar a tristeza, gritar a raiva... viver o amor


(...)
Em algum lugar do tempo perdemos a fé?
Nas manhãs cinzas do outono porto alegrense?
¿En las calles cobiertas de hojas muertas?
Ou no medo de descobrir o que se sente?
(...)
Há braços!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

.amizades modernas.


Prestes a completar 100 mil acessos no vezenquando pub, eu escolhi (re)postar hoje um dos textos do blog que mais me 'tocam': amizades modernas, do nosso amigo vezenquandista Pablo.

Esse post resume bem o que nos une neste espaço virtual e a importância da nossa amizade!

Curte aí! :)

Com o avanço tecnológico as coisas vão mudando, as pessoas vão mudando e tudo  muda muito rapidamente. Nossos conceitos também!

Eu sou do tempo que não existia e-mail. Que internet era coisa de outro mundo (ou outros países). E quando inventaram o ICQ, todo mundo ficou maravilhado.... lembro que fiquei tri feliz quando aprendi a criar e usar uma conta de e-mail. E ficava mais feliz ainda quando recebia uma mensagem de alguém.

Agora tudo avançou muito rapidamente. Hoje temos celulares com câmeras de alta resolução e que acessam a internet e podem compartilhar tudo que registramos.. tudo isso enquanto você pega um ônibus ou está trancado em um engarrafamento.

Mas nesse mundo moderno em que vivemos existem muitas contradições.
Ideias como: redes de amizades, compartilhamento de informações, redes sociais, globalização, encurtamento de distâncias... convivem tranquilamente com o egocentrismo das pessoas, a crescente violência, hipocrisia das autoridades, desigualdades sociais e coisas do gênero. As pessoas estão cada vez mais egoístas, ignorantes (em todos os sentidos)... se matam por brigas no trânsito, só pensam em tirar vantagens sobre os outros... enfim, um caos.
Sobre todas as coisas que mudaram nos últimos tempos, esses dias parei para pensar especialmente sobre uma delas: as amizades.

Não sei se isso ocorre somente comigo, mas hoje tenho dificuldade de fazer amizades sólidas. Não me refiro aos “conhecidos”, porque isso ainda é fácil, mas me refiro às amizades como antigamente... aquelas pessoas que a gente pode contar em todos os momentos, bons e ruins. Achei que a internet fosse facilitar.. mas hoje penso que não facilitou nem dificultou.. apenas modificou... as relações mudaram.

Tenho amigos do passado que mantenho uma proximidade até hoje. Pessoas que conheço desde os tempos de Lobinho (do grupo escoteiro), e que ainda falo semanalmente. Tenho amigos que moram no exterior e que, se não fossem os meios virtuais, eu não teria como manter contato frequente.
Entretanto, no dia-a-dia, nas empresas, nos círculos sociais, parece que as amizades são muito superficiais.. parece que fica difícil adquirir confiança...

Mas daí surgem algumas pessoas que, através de um simples blog, criam vínculos absurdamente sólidos. Pessoas que você nem conhece pessoalmente, mas que são capazes te entender plenamente. Pessoas que estão distantes, mas enxergam nossas lágrimas e percebem o momento de nos consolar. Pessoas que nos fazem sorrir mesmo em momentos difíceis e que nos deixam preocupados no caso de eventuais desaparecimentos. São pessoas que talvez nunca tenham a dimensão dos efeitos que causam em nossas vidas, mas que são realmente importantes.
Como "somos responsáveis pelo que cativamos", não devemos tratar com descrédito essas amizades virtuais... elas são tanto ou mais importantes do que as outras.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

.cada verso.

Há anos procuro a gravação de uma música minha com arranjos do meu irmão... ou melhor, procurava, já havia desistido de encontrar, até que do nada ela começa a tocar no som do carro durante a viagem de férias ao Velho Oeste. “Cada Verso” é o nome do tema. Gravado ao vivo no festival de música que rolou em Uruguaiana por duas edições, no caso, segunda edição do MUSI SESC 2002.
(...)
Mas afinal, como foi parar no som do carro?
Putz, para responder a esta pergunta terei que confessar um delito.
Na minha última estada em Uruguaiana, em abril do corrente ano, acabei pegando emprestado o carro da minha irmã... dentro, uma pasta/porta CDs. Não resisti à tentação e dei de mão no artefato com a intenção de, durante a noite, escutar e, logicamente, fazer uma triagem do que me interessava e devolver... o resto.  Mas como esta minha ida a fronteira foi a trabalho, joguei na mala e acabei trazendo pra capital e me esquecendo da existência da tal pasta/porta CD.
(...)
Na semana passada, durante a viagem escutamos todos os CDs na ordem de disposição dentro da pasta, este era o último... Quenn, Eric Clapton até que começou um repertório com músicas do meu irmão Cesar Santos, entre elas a que ele fez para o primeiro Musi Sesc em 2001. Ao ouvi-la, lembrei da minha e pensei comigo: “Bem que a próxima desse CD poderia ser “Cada Verso”.
Incrível! Tenho poderes. A música começou a tocar.

Me emocionei, comecei a falar desse tema e da sensação que estava sentindo ao escuta-lo depois de mais de 10 anos e tal. Olhei pro lado, Luciana dormindo. Olhei pelo retrovisor, meus três filhos dormiam também... só a Ayscha me olhava com uma cara de quem não estava entendendo nada.
(...)
Bueno, para registro e não mais perde-lo, aí está.





Há braços

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Cheers!

Meu grande amigo, eu gosto muito de você. Que sentimento imenso me une a você. Abriu a porta da gaiola e me livrou de uma existência triste, fria e sem amor.

Feliz Dia do Amigos aos que nos acompanham e aos donos do pub!